Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Ontem desafetos, agora aliados...


A política tem por essencia reatar desamores e destruir amizades. Basta avaliar o quadro em todas as suas esferas para constar tal vertente.

Em Araçatuba, os desafetos de ontem são amigos hoje e vice-versa. Tem ex-prefeito que foi padrinho de casório de ex-vereador e que agora são inimigos mortais. Escracharam até o matrimônio.

Aliados aqui, opositores acolá, a política não é o meio mais exemplar para abordar a amizade, pois até mesmo as relações amistosas são movidas pelo momento, chamada pelos detentores do poder de "cortesia". Mais um exemplo da tal cortesia foi visto esta semana.

Presente em Palmeira dos Índios (AL) para a inauguração da Adutora Helenildo Ribeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) --ele mesmo, o lendário Caçador de Marajás-- teceram elogios uns aos outros. Para quem não conheceu a história eleitoral de 20 anos atrás tudo soava como uma amizade antiga.

Só para fazer história, Lula e Collor eram adversários nas agitadas eleições de 1989. O alagoano foi até mais longe para conseguir vencer o pleito: deturpou a imagem do petista ao divulgar que ele tinha uma filha fora do casamento. Isso sem contar a manipulação do último debate em prol do vitorioso.

Mas voltando ao presente. Lula fez "justiça" ao afirmar que Collor e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) dão base ao seu governo. Esquecendo todo o passado com o petebista, o presidente ainda afirmou que o Brasil faz uma "nova política, e não compadrio", ou seja: clientelismo.

É evidente que Lula não pode se guiar pelo ressentimento para governar o país. O Chefe de Estado deve ser um exemplo de diplomacia e mediador de diferenças, e o petista consegue desempenhar este papel com veemencia, pois até a oposição o ovaciona. Mas como explicar para a nova geração que os antigos desafetos agora dão as mãos...É a maldita governabilidade que tanto usam de escudo para as atitudes!!

Fotos: Helvio Romero/Agência Estado


Veja o ontem e hoje dos personagens desta postagem.















Domingo, 12 de Julho de 2009

Campanha virtual é autorizada

A Câmara dos Deputados aprovou na última semana o projeto de reforma eleitoral que permite campanha política em sites, orkut, twitter, blogs pessoais, entre outros. A medida agora vai para o Senado e sendo aprovada na Casa já será válida para 2010, ano em que serão eleitos os cargos de presidente, governador, senadores e demais parlamentares.

Antes do projeto a campanha virtual era proibida por canais pessoais como o orkut e messenger, sendo que apenas sites pessoais poderiam divulgar a campanha de determinado candidato. A argumentação era de que estas ferramentas facilitariam a boca de urna, além de práticas ilegais como aliciamento de votos. Grande equívoco.

As campanhas virtuais são resultados da inovação tecnológica. É claro que como tudo na vida pode ocorrer a má-fé também neste segmento, mas as vantagens de divulgação são grandes, afinal a sociedade tem sido cada vez mais usuária da internet.

Outra vantagem da campanha virtual é a geração de debates por meio de chats e até mesmo outros segmentos on-line, favorecendo assim a transparência de propostas e do contato direto com o eleitor.

Toma-se como exemplo de eficiência eleitoral a campanha do atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (veja imagem). O democrata foi enfático ao divulgar suas ideias por meio do Twitter e de sites políticos, facilitando assim a comunicação com o público interessado. O resultado foi uma aceitação expressiva e a prova de que a internet é uma aliada quando bem usada.

Com a aprovação deste projeto eleitoral, o Brasil dá um importante passo para a melhor e maior comunicação entre eleitor e candidato. Espera-se que a transparência também seja a consequência deste ato, e que sempre haja bom senso ao utilizar a internet para fins eleitorais.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

CPI da Petrobrás: o desfecho



Após o desgate com a recente crise interna, o assunto CPI da Petrobrás voltou à tona no Senado. A base governista anunciou a intenção de permitir a abertura das investigações na próxima terça-feira (14) sobre irregularidades na estatal petroleira. Mas o início dos trabalhos está longe da verdadeira definição sobre a função parlamentar: fiscalizar os atos do Executivo com imparcialidade e veemencia.


Negando a possível "operação abafa" nas investigações, os senadores governistas afirmaram que não farão nada para emperrar a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito. Contudo, a base aliada bate o pé e não quer dividir a direção das apurações com a oposição, a qual vem recuando sobre a ideia de conduzí-los. Eles querem mesmo é atrapalhar a boa vida do Governo Lula, pertubando, mesmo que em curto intervalo de tempo, a boa imagem da atual gestão: tática para 2010.


Já a postura dos governistas era evidente. Assumir a presidência e cargos relevantes de uma CPI representa controlar os trabalhos, possibilitando ao Planalto mais tranquilidade sobre a existência de denuncismos, tão comuns nesta época pré-eleitoral. Resumindo: o controle de uma CPI significa não comprometer em demasia a Presidência para futuras pretensões e ações de gestão.


O desfecho de mais uma CPI é imprevisível, mas fica evidente que assim como as demais amarrotadas na Casa, esta investigação tende a seguir o que é de praxe na política nacional, afinal enquanto o governo tenta se descomprometer, a oposição apenas quer ofuscar; logo o espírito de esclarecimentos se reduz aos interesses políticos.

Foto: José Cruz/Agência Senado

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

A improdução que se arrasta

A vida de ex-presidente é fácil, pois a pessoa passa de vidraça a pedra, podendo se atracar em questões polêmicas que na vida de mandatário evitava abordar. Com Fernando Henrique Cardoso funciona desta maneira, e hoje (7) ele atirou mais uma vez os seus comentários sobre os rumos do País que governou por oito anos.

Ao visitar o Senado para celebrar os 15 anos do Plano Real, FHC foi abordado sobre a crise que vive a Casa que ele já atuou como parlamentar. Segundo o tucano, que bateu um longo papo com José Sarney (PMDB-AP), "em casa de enforcado não se fala em corda", tentando assim sair pela tangente da maneira mais elegante possível. Mesmo assim ele soltou que a primeira parte do Congresso vive uma série "improdutiva" no que diz respeito a ideias e projetos, sempre ressaltando que na sua época de Senador tudo era diferente; esqueceu de falar na relação com os colegas durante o seu período de presidente da República, como quem cala, consente...


Fernando Henrique deveria saber que a tal "improdução" que o Senado vive é arrastada deste o seu período de presidente (1995 -2002). Foi ao longo destes anos que ocorreram barbáries que atendem pelos nomes de Luiz Estevão, Jader Barbalho e o saudoso ACM, todos estes foram presidentes do Senado na Gestão FHC e sairam pela porta dos fundos devido a denúncias. E detalhe: os atos secretos da Casa vêm desde 1995...


Não que José Sarney e Cia LTDA sejam totalmente inocentes em relação às últimas denúncias, mas é bom relembrar que tudo começou lá atrás, afinal a improdução da Casa vem de muito tempo. O que se vê hoje é apenas uma consequência de um passado nada agradável.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Sarney bate o pé e diz que fica

Este blog não cansa de falar do Sarney, pois ele evidencia os fatos políticos mais atuais do noticiário, então somos obrigados a falar do político mais irredutível já conhecido. Mostrando o seu poder de resistência, o maranhense/amapense deu a mínima à crítica e oposicionistas de então, e segue na presidência do Senado até última ordem e apoio oriundo do Governo Federal.
Sarney ressurgiu do lamaçal após ouvir o apoio influente do seu ex-algoz Luiz Inácio Lula da Silva, além da ministra/candidata Dilma Rousseff. O ex-presidente da República soube aplicar suas cartas em prol do Planalto, e conseguiu convencer a Presidência de que o melhor é deixar prevalecer a tal governabilidade, argumento manjado para todo e qualquer apoio político.
Mas a realidade é que o PT concede a sustentabilidade de Sarney. No imbróglio da sigla, o peemedebista vai ganhando sobrevida na cadeira, mesmo com o surgimento de novas denúncias contra seu nome. José Sarney é acusado de não ter declarado uma casa na zona nobre de Brasília nas eleições de 1998 e 2006. Nem a acusação de sonegação fez o homem balançar.
Contudo, a vida do senador à presidência da Casa pode sofrer outro abalo na semana que está para começar. Na próxima terça-feira o PT decide de vez se vai apoiar ou "demonizar", como disse Dilma, o cargo de Sarney. Aí está o estopim do político.
Mas a sigla deve mesmo ficar com o raciocínio dos seus caciques, pois as eleições estão aí e não é do agrado governista criar atritos com o PMDB, bem como com um velho de guerra capaz de dar apoio e votos para o candidato lulista dentro e fora do eixo nordestino. A governabilidade ainda é mais forte que a sensatez.
Imagem: G1

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

E agora, Sarney?


O carma de Sarney frente à presidência do Senado permanece. Se DEM, PSDB, PDT e PSOL estão pedindo o afastamento do amapense/maranhense, agora é a vez do PT solicitar a sua retirada. Mesmo que mais branda (30), a decisão do partido de Lula pegou o peemedebista de surpresa, mesmo assim não concordou com a proposta dos companheiros, e esperará o companheiro-mor do país voltar da Líbia para uma decisão sobre seu futuro.

Se antes os políticos é quem procuravam os "pelos experientes" de Sarney agora a situação muda: de um em um a maioria dos parlamentares estão lavando as mãos para o senador, que conta apenas com a "Tropa de Choque" interna, encabeçada por Renan Calheiros (PMDB-AL), que precisou muito de Sarney no episódio escandaloso de 2007.

Mas o que fez o PT pedir o afastamento? Simples: para não se queimar com os demais partidos e fazer a decisão sobre Sarney ser conduzida por Lula, aumentando assim o poderio para as eleições de 2010. Os petistas ficaram reféns do PMDB em grande parte dos momentos da Casa, e agora quer mostrar que tem poder de decisão sobre suas próprias atitudes.

Enquanto isso resta a José Sarney se conformar com a força da filha Roseana, a qual utilizou o artifício manjado de que "tudo não passa de bode espiatório da opinião pública". Mas é inegável que o momento está fazendo o seu pai perder o bigode, tal como na época da inflação galopante dps anos 80. Em meio a tantos reveses fica no ar a pergunta: e agora, José Sarney?
Foto: Dida Sampaio/Agência Estado

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

DEM e PSDB caíram fora


Aos poucos o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) vai perdendo seus aliados na Casa. Outrora decisivo para a eleição do peemedebista à cadeira titular, o DEM resolveu pedir a cabeça ao então apoiado, exigindo dele a licença provisória ao alegar que Sarney está com situação insustentável após as denúncias envolvendo sua família no que diz respeito a apadrinhamentos e nomeações em geral.

O coro dos "desaliados" pode ficar maior c
om as reuniões internas das siglas existentes na Casa. PSDB, PT e o próprio PMDB discutirão se continuam dando aval a Sarney ou se seguem o raciocínio dos democratas. Os tucanos já confirmaram que também desejam ver Sarney fora.

Os petistas são os prováveis candidatos à sustentação do presidente, pois até Lula mandou o recado ao declarar que está com Sarney e não abre, uma vez que para ele há outras coisas mais "importantes" a serem discutidas pela opinião pública... Como assim?


Ainda que haja a posição contrária de Eduardo Suplicy e Aloízio Mercadante, o PT deve favores ao PMDB, e isso pode pesar no reforço da ideia "Permanece, Sarney".

Teoricamente o partido apoia o seu filiado, mas em se tratando dos pupilos de Ulysses Guimarães a coisa muda: ali existe governo, oposição e oposição de toda oposição.

Ao que depender de Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) Sarney cai fora, mas há outra ala peemedebista que está com o amapense/maranhense, especialmente os parlamentares dos respectivos estados com influencia "sarneyzista".
Só o destino dirá como ficará este retalho todo. Enquanto isso o PSOL vai tentando chutar Sarney do poder...