terça-feira, 24 de novembro de 2009

PT: a nova/velha direção e os desafios para 2010

O PT está definitivamente dentro das eleições do próximo ano, que disputará pela primeira vez sem Lula como candidato a presidente. A preocupação com sua sucessão é o centro já era centro das decisões do Planalto, de discursos e agora tomou conta da executiva nacional petista, em especial na pessoa de José Eduardo Dutra, novo presidente da sigla.

O ex-senador Dutra venceu em primeiro turno as eleições do último domingo (22) com mais de 50% das indicações, seguido por José Eduardo Cardozo, com 19,4%, Geraldo Magela (12,4%), Iriny Lopes (11,6%), Markus Sokol (1%) e Serge Goulart (0,6%). Dutra é da chapa Construindo um Novo Brasil, ala do grupo ligado a Lula, Dilma Rouseff, José Dirceu, Ricardo Berzoíni e etc.

A eleição de Dutra abre vertentes sobre os rumos do partido. O continuísmo da ala governista permanece soberano dentro do PT. Isso representa um sinal verde para que os mensaleiros (José Dirceu e etc) ainda possuem vez e voz dentro da sigla e Dilma certamente contará com a influência deles para fazer campanha. O mais do mesmo veio na pele de um novo comandante do partido, que ao virar para o espelho vera refletida a imagem dos velhos caciques da aldeia vermelha.

Por outro lado o racha dentro do PT é visível. Sete chapas concorreram à direção nacional, o que representa que o grupo lulista já não é unânime dentro da sigla. Estas chapas foram chamadas pelo presidente como autoras da provável divisão dentro do partido.

Mas não é só o racha interno que Dilma terá de combater. Se quiser mesmo ser a sucessora de Lula, a ministra vai ter mostrar sua estratégia para lidar com o PMDB, que em estados como São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco entre outros promete se rebelar e lançar candidatura própria ou até mesmo se aliar aos adversários petistas. Mesmo mostrando que está preparada para dividir palanques estaduais, a mulher-forte do presidente tem de começar a mostrar jogo de cintura político, tal como o chefe ensinou em oito anos.

sábado, 21 de novembro de 2009

Morre Celso Pitta e ficam os problemas

Morreu na noite de ontem (20) o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Aos 63 anos, o economista sofria de câncer no intestino desde o começo do ano e estava internado desde o último dia 3. Contudo, vai o homem e fica a sua história e neste caso os seus processos.

É honesto e oportuno lembrar quem foi Celso Pitta em vida. O Brasil tem uma cultura injusta de santificar os seus predadores na hora da morte, absolvendo assim pessoas que frequentaram assiduamente o banco dos réus. Pitta foi uma destas cartas da política nacional.

Pitta ficou conhecido por ser eleito prefeito da capital paulista em 1996 (gestão 1997-2000). Apadrinhado do folclórico e não menos problemático Paulo Maluf, ele foi eleito com 62,2% dos votos na época. A frase de Maluf “Votem no Pitta, e se ele não for um bom prefeito nunca mais votem em mim”, sensibilizou o eleitorado, o qual deu aval à indicação do então administrador da cidade.

Mas até mesmo Maluf se arrependeu de proferir a frase. A gestão de Pitta à frente da capital foi uma das mais vexatórias da história paulistana. Ele saiu da prefeitura com mais de 80% de rejeição do eleitorado. Tal repúdio foi fruto de uma gestão mais marcada por escândalos do que por feitos... E ele superou o então padrinho neste quesito.

O nome de Celso Pitta esteve envolvido em diversas denúncias. A primeira e a mais escandalosa foi feita pela sua ex-esposa Nicéia Camargo, de quem se separou ao fim do mandato. A mulher levou a público que o marido estava envolvido em esquemas de corrupção que incluía vereadores e o seu secretariado. Entre os maiores processos está o ‘escândalo dos precatórios’, que chegou a lhe render a condenação em 2008.

A última aparição de Pitta foi no ano passado. O ex-prefeito foi preso pela Polícia Federal na Operação Satiaghara, juntamente com o banqueiro Daniel Dantas e o investidor Naji Nahas. Ambos foram soltos.

Segundo o advogado de Celso Pitta, as disputadas judiciais agravaram a doença do ex-prefeito. Pitta poderia evitá-las se fosse um político com lisura e comprometimento com o povo. Infelizmente parte o homem e fica o seu histórico de desserviço ao povo paulistano e brasileiro.


domingo, 15 de novembro de 2009

Eleições de 1989: o circo da democracia

Hoje (15) faz 20 anos (este blogueiro era um bebê na época) que os brasileiros voltariam a eleger um presidente após quase 40 anos sem irem às urnas para a escolha do chefe do Executivo brasileiro em primeiro turno (o segundo foi entre Collor e Lula em dezembro do mesmo ano). Foi uma verdadeira festa da democracia, que de tão informal se tornou um circo democrático.

Nada mais que 22 candidatos disputavam o voto do povo. Uns nem tanto, pois o que queriam mesmo era a divulgação do nome para outras aventuras políticas na Nova República. Mas outros protagonizaram discussões acaloradas, onde o campo das ideias e da ética eram deturpados.

Os principais embates envolveram as candidaturas de Fernando Collor de Mello (vencedor), Luiz Inácio Lula da Silva, Leonel Brizola, Paulo Maluf, Ulysses Guimarães e Mário Covas. Eles trocavam farpas públicas e não faziam cerimônia quando o assunto era denegrir o adversário. Tempos onde a volta da liberdade trouxe à forra uma libertinagem política.

Haviam também um baixo nível de respeito e negociatas em plena luz do dia. Um dos casos mais curiosos foi que Ulysses Guimarães foi simplesmente traído pelo PMDB, que se dividiu entre Covas, Afif e até mesmo Collor. Foi um episódio lastimável contra uma das figuras até então mais respeitadas do País.

Historicamente os presidentes em cargo se tornam divisores de águas nas campanhas. Mas neste caso isso não ocorreu. Com um Brasil em frangalhos por conta da inflação, o então presidente José Sarney teve que se contentar em lançar um candidato anti-Collor, até então seu desafeto. Ele traiu Ulysses, brigou com Maluf, queria distância de Lula (quem diria!) e tentou lançar Sílvio Santos, que merece um parágrafo a parte.

O dono do SBT queria ser presidente da República. Como era um dos nomes de força do PFL (hoje DEM), Sarney e seu bloco tentaram emplacar o nome do Patrão, que em menos de duas semanas havia caído no gosto popular. Porém membros do partido, orientados por Roberto Marinho, boicotaram Sílvio e apoiaram a incógnita Aureliano Chaves.

Bem, Sílvio tentou emplacar candidatura a outros partidos, até que conseguiu no minúsculo e já extinto PMB, onde nem mesmo seu nome estava na sigla (era ainda o de Armando Corrêa).

Contudo, o TSE impugnou a candidatura de Sílvio, alegando que não fora feitas as convenções partidárias.

Entre embates fortes e muita polêmica, o fato é que o direito ao voto finalmente fora conquistado em definitivo. Mas assim como naquela época, o país ainda carece de ideias que fujam do clientelismo arcaico e do interesse egoísta. Passaram-se 20 anos, porém muitos que naquela época já eram demagogos hoje presidem comissões no Congresso e até mesmo desfilam de terno,gravata e fala mansa pelos arredores de Brasília.







quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Guerra e paz


O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), concedeu entrevista ao portal UOL e ao repórter Fernando Rodrigues nesta terça-feira (10). Longe de ser mais uma abordagem jornalística política, o momento trouxe à tona os elogios e disparos sobre diversos assuntos do líder de um dos maiores e mais influentes partidos brasileiros.

O carro-chefe da entrevista não podia ser outro: eleições 2010 e o dilema entre José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) sobre a candidatura à sucessão de Lula. De maneira taxativa e até surpreendente, Guerra disse que o mineiro é “mais amplo politicamente que o governador José Serra”, pois segundo ele pode ser discutida mais alianças políticas com o governador das Gerais à frente.

O argumento do presidente tucano é de que Aécio possui a aprovação mais branda dentre os governadores brasileiros. Contudo, ele não menospreza a expressividade popular de Serra e espera que ambos os aspirantes ao Planalto entrem em um consenso para dizimar as prévias partidárias. Com esta afirmação a briga no PSDB pela candidatura está bipolarizada e ponto.

Ainda sobre as alianças do PSDB, guerra contou que PPS e DEM estão praticamente fechados em uma chapa nacional. Sobre a candidatura de vice-presidente, o líder tucano afirmou que tem mais chances de estar na mão dos Democratas tal posto.

Entre os prováveis contemplados estão os deputados José Carlos Aleluia (BA) e Ronaldo Caiado (GO), a senadora Kátia Abreu (TO), o senador José Agripino (RN), o ex-prefeito do Rio Cesar Maia e o atual governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Mesmo com o apoio da direção do PMDB estar quase migrado ao PT, Sérgio Guerra está esperançoso em alianças com os peemedebistas nos Estados, e citou que em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul Pernambuco e Mato Grosso do Sul a sigla está fechada com o PSDB, o que significa esperança de transferência de apoios fragmentados.

Mas não é só sobre o ninho tucano que Guerra falou. O pernambucano ainda disparou contra a provável candidatura de Ciro Gomes (PSB) ao governo de São Paulo ao duvidar que o povo paulista “vote em quem vá ao Estado por encomenda”.

Ele ainda atacou a maneira de governar de Lula, falou sobre a crise no governo de Yeda Crusius, mensalão mineiro, legalização da maconha e até mesmo de Caetano Veloso. Confira os vídeos da entrevista no link abaixo:

http://noticias.uol.com.br/politica/2009/11/10/ult5773u2932.jhtm

sábado, 7 de novembro de 2009

O PT reúne seus soldados


O Partido dos Trabalhadores já monta suas estratégias para a batalha eleitoral de 2010. Neste sábado (7), em Guarulhos, o PT se reunirá com prefeitos e vices de todo o Brasil para discutir as políticas implantadas nas cidades em parceria com o governo Lula. Mas o evento está longe de ser apenas governamental.

É que a presença da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, promete discussões acerca da sucessão de Lula. Dilma está mais que cotada para concorrer à presidência e quer começar a agregar os soldados para a campanha nos municípios.

Participam do encontro petista os prefeitos de Araçatuba, Cido Sério, de Penápolis, Joao Luís dos Santos e de Santo Antonio do Aracanguá, Luiz Carlos dos Reis Nonato.

Mesmo se tratando de um encontro tradicional, a deste ano visa mesmo é valorizar a imagem de Dilma dentro das cidades governadas pelo PT. O desconhecimento do nome da ministra é o maior desafio a ser desmontado pelos prefeitos e correligionários.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Vende-se na câmara

Há hábitos da vida moderna que lembram uma fase contemporânea da Idade Média, criando assim o verdadeiro “mais do mesmo arcaico”. E a velha novidade desta vez vem de Belém, capital do Pará. Nossa Senhora de Nazaré que acuda!

A Câmara dos Vereadores de Belém resolveu inovar: passou a conceder o interior de seu prédio para que empresas diversas passassem a vender produtos aos funcionários da Casa. Lá tem de tudo: desde ventilador até motocicleta.

E o mais curioso é que os donos das “lojas itinerantes” não pagam nada para fazer morada ali. E o resultado desta mamata é que as empresas disputam entre si para ver quem fica mais tempo no palácio das negociatas...Comerciais.

Por fim, confira o vídeo abaixo e veja o cúmulo do comércio.






sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Candidato sim, a presidente talvez, mas vice nunca


Ao menos uma coisa já está certa para o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB): a convicção de não ser candidato a vice numa chapa puro sangue, ou seja, encabeçada por José Serra, outro tucano cotado para disputar a presidência em 2010. O posicionamento do mineiro já o fez pensar em outra vertente: a candidatura ao Senado, válvula de escape para quem não pode se reeleger ao governo e fracassa em prévias partidárias.

Este “nunca” de Aécio para uma chapa como vice e a adoção de uma segunda via tende a beneficiar o governador paulista. Com outros planos por parte do adversário do mesmo ninho, Serra pode fortalecer ainda mais o seu lobby perante os companheiros de sigla. Sua habilidade de negociação só fracassa caso haja ruptura com cacifes fora do eixo São Paulo - Minas Gerais.
Repetir o fiasco como o de 2006 jamais, até porque Serra agora está realmente interessado em conquistar o Planalto, e o PSDB doido para retomar a rampa brasiliense. A experiência com Geraldo Alckmin mostrou que ousadia é fruto de rupturas pré-eleitorais.

E elas podem voltar caso o tucanato não seu acerte com os dois postulantes. Com a base aliada já se articulando em torno de Dilma Rousseff, o PSDB se vê na obrigação de ser agregador. O problema é atender ao mesmo tempo os anseios do DEM (eterno aliado) e dos tucanos do Nordeste, os quais sempre criam entraves para a executiva paulista, de longe a mais influente do partido.

A recusa de Aécio em ser vice abre duas vertentes a serem analisadas. A primeira é a de que o PSDB terá que passar a trabalhar um vice para a chapa do partido, pensando essencialmente em não fabricar um candidato tampão, tal como o deputado José Jorge (DEM) em 2006. Com o PT de Dilma perto do PMDB, os tucanos queriam mesmo era convencer Aécio a repensar sua postura. Santo de casa desperta confiança na política.

Mas como esta hipótese é improvável, pode-se pensar em excluir Aécio de vez e ofertar o cargo de vice como estratégia. O problema é que o estoque está praticamente liquidado, uma vez que a noiva PMDB já está de compromisso. A possível saída seria paquerar o apoio peemedebista nos Estados para minar Dilma.

Por fim, convém dizer que o não de Aécio pra a vice-presidência representa várias pretensões em um só local. Pré-eleição é igual jogo do bicho: aposta errada, tombo dolorido certo.