
A política tem por essencia reatar desamores e destruir amizades. Basta avaliar o quadro em todas as suas esferas para constar tal vertente.
Em Araçatuba, os desafetos de ontem são amigos hoje e vice-versa. Tem ex-prefeito que foi padrinho de casório de ex-vereador e que agora são inimigos mortais. Escracharam até o matrimônio.
Aliados aqui, opositores acolá, a política não é o meio mais exemplar para abordar a amizade, pois até mesmo as relações amistosas são movidas pelo momento, chamada pelos detentores do poder de "cortesia". Mais um exemplo da tal cortesia foi visto esta semana.
Presente em Palmeira dos Índios (AL) para a inauguração da Adutora Helenildo Ribeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) --ele mesmo, o lendário Caçador de Marajás-- teceram elogios uns aos outros. Para quem não conheceu a história eleitoral de 20 anos atrás tudo soava como uma amizade antiga.
Só para fazer história, Lula e Collor eram adversários nas agitadas eleições de 1989. O alagoano foi até mais longe para conseguir vencer o pleito: deturpou a imagem do petista ao divulgar que ele tinha uma filha fora do casamento. Isso sem contar a manipulação do último debate em prol do vitorioso.
Mas voltando ao presente. Lula fez "justiça" ao afirmar que Collor e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) dão base ao seu governo. Esquecendo todo o passado com o petebista, o presidente ainda afirmou que o Brasil faz uma "nova política, e não compadrio", ou seja: clientelismo.
É evidente que Lula não pode se guiar pelo ressentimento para governar o país. O Chefe de Estado deve ser um exemplo de diplomacia e mediador de diferenças, e o petista consegue desempenhar este papel com veemencia, pois até a oposição o ovaciona. Mas como explicar para a nova geração que os antigos desafetos agora dão as mãos...É a maldita governabilidade que tanto usam de escudo para as atitudes!!
Fotos: Helvio Romero/Agência Estado
Veja o ontem e hoje dos personagens desta postagem.









